sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Educação em tempos de crise

Frente às mudanças econômicas de 2015, com cortes do governo federal que incluíram a Educação, e também às novas perspectivas trazidas com o Plano Nacional de Educação, o professor fala sobre as expectativas para a área nos próximos anos

Carlos Roberto Jamil Cury é um dos maiores especialistas do país em políticas educacionais e direito à educação. O docente da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisa as perspectivas para a educação no país em tempos de crise política e econômica, que pode afetar o financiamento da área, mas também de discussões importantes como a constituição do Sistema Nacional de Educação. Na entrevista a seguir, concedida à editora Marina Almeida, ele fala sobre a inovação trazida com a discussão de mesas e pactos de negociação entre os diferentes entes federados - da União com estados e municípios, do estado com seus municípios, e de municípios limítrofes -, abrindo, assim, um caminho para o diálogo e para uma gestão efetivamente mais democrática. O professor ainda aborda outras questões importantes, como a base nacional curricular comum, o excesso de avaliações no país e a necessidade urgente de melhorar a formação inicial dos professores, com aumento da carga horária e reformulação dos currículos.
Entramos em 2015 com o Plano Nacional de Educação (PNE) finalmente aprovado e Cid Gomes assumindo o Ministério da Educação (MEC). Além disso, os cortes no governo federal também afetaram a pasta da Educação. Como o senhor avalia as perspectivas da educação nesse novo cenário? 
Temos uma tensão, muito tradicional e cultural no Brasil, entre os valores proclamados, sobretudo no ordenamento jurídico, e a posterior execução das políticas educacionais. De modo geral, sobretudo nos regimes democráticos, os valores proclamados são bastante avançados, como é o nosso caso, seja na Constituição de 1988, seja no atual PNE. Entretanto, as políticas educacionais não se descolam de contextos mais amplos e hoje sabemos que o país está passando por uma crise bastante complexa que envolve do setor econômico até o setor político, óbvio que isso trará consequências para o bom encaminhamento das políticas públicas, em especial a da educação. Essa tensão só pode ter como saída positiva a sociedade civil cobrando aquilo que foi consagrado em lei, o que se torna bastante importante, sobretudo quando a própria presidente da República anuncia que o lema do próximo quadriênio será "Pátria educadora". No campo específico do PNE, o que vai além do posto na Constituição em termos de vinculação - os 25% para as redes e 18% para a União -, dependerá dos recursos do pré-sal. Como a Petrobras está em crise, não sabemos se os recursos que são esperados a partir do Fundo Social, dos royalties do petróleo, poderão irrigar a área da educação.
Sem esses recursos do pré-sal não conseguimos chegar aos 10%?
Não, de modo algum. Os 10% serão objeto do segundo quinquênio. A meta para os primeiros cinco anos é alcançar 7% do PIB, o que não é pouco. Agora, se realmente houver dificuldades com o que se espera do pré-sal, algum arranjo terá de ser feito, porque, afinal, esse é um mandamento não apenas da lei 13.005, do PNE, mas de uma emenda constitucional.
O que o senhor destacaria entre as deliberações da Conferência Nacional de Educação (Conae), realizada em 2014?
Primeiro, a questão do financiamento, que não está mais restrito aos 18% da União e 25% dos estados e municípios na medida em que temos novas metas a serem alcançadas. Por exemplo, a nova obrigatoriedade de escolarização para crianças de 4 e 5 anos e dos jovens de 15 a 17, sem falar na pressão da sociedade por mais creches. Outra questão é a definição da base curricular comum. O terceiro ponto é com relação ao piso salarial dos professores e a partir daí, claro, há outras dimensões: precisamos pensar na formação inicial dos docentes para recuperar a figura do professor não só por meio da valorização salarial, mas, sobretudo, por meio de uma formação que o capacite a dar conta das etapas da educação nas quais ele lecionará. É bem complexo, mas uma oportunidade raríssima de pôr a educação em pratos limpos. A saber, se vamos aproveitar esse momento como sociedade civil e se os governos vão realmente encarar isso como uma responsabilidade republicana. Mas há outros pontos que a Conae sinalizou também: a necessidade de os estados e municípios elaborarem seus planos municipais e esta­duais de educação atendendo às peculiaridades regionais e locais. Isso vai envolver de novo um movimento da sociedade civil e dos educadores para que eles possam pensar esses planos face às suas singularidades. Estamos passando por uma situação muito crítica do ponto de vista econômico e político, mas as crianças vão continuar indo à escola e as finalidades maiores da educação não podem sofrer por conta dessas contingências. É da conjugação desses três planos - Nacional, Estadual e Municipal - que poderemos, finalmente, ter um Sistema Nacional de Educação.
Como as decisões da Conae podem influenciar os rumos da política educacional?
É evidente que em tempos de crise, como os que estamos passando, é preciso atentar para quem o poder político vai dar prioridade: se para aqueles que deram um enorme apoio à reeleição da atual presidente da República ou se para preservar aquilo que foi compromissado, mesmo que a economia esteja numa situação difícil. De outro lado, a Conae apontou para campos que dependem de recursos, claro, mas apontou para outras metas que precisam ter um desdobramento a partir da aprovação do PNE. Um primeiro campo importante é o do federalismo. O artigo 7º da lei 13.005 fala em mesas e pactos de negociação, o que é uma coisa muito nova na política educacional brasileira. Até hoje se falou em regime de colaboração, mas agora há a constituição de um fórum para estabelecer critérios, padrões, que redistribuam os recursos públicos, numa dimensão de diálogo, o que é muito interessante! Esse é um campo que joga água para o moinho da gestão democrática, ou seja, pensar a gestão democrática dos recursos em relação ao federalismo.
Como isso funcionaria?
Hoje nosso federalismo está bastante desequilibrado, pelo menos na educação. Precisamos, através dessas mesas de negociação, buscar o melhor caminho para encontrar representantes que expressem o conjunto da federação brasileira e, ao mesmo tempo, tenham autoridade para que suas decisões possam ser cumpridas, senão vira um 'conselhão'. Criou-se essa figura das mesas de negociação, que são três: uma da União com estados e municípios, uma do estado com seus municípios, o que é novo e muito pertinente, e a terceira que é a de municípios limítrofes, por exemplo, os de uma região metropolitana. Essa pactuação entre os entes federativos vai ser também uma mesa que ocupará as funções que atualmente estão voltadas para o Conselho Nacional de Educação (CNE) ou não? Aqui me refiro, sobretudo, à questão curricular. Quem vai estabelecer aquilo por que a Conae se bateu tanto, que é a base nacional comum? O que é isso? Como se faz e quais são os critérios para estabelecê-la? De um lado, temos uma mesa de negociação, que a meu ver tem mais presença no que se refere ao financiamento e à distribuição de competências entre os entes federados, e de outro lado temos, em principio pelo menos, o CNE, a quem deveria caber, por atribuição legal, a definição do que vem a ser a base nacional comum.
Como o fato de o país possuir muitos pequenos municípios influencia essa discussão?
A questão dos recursos tem de ser pensada de forma equitativa, de sorte que aqueles que estão em situação de maior precariedade ganhem mais recursos. Essa segunda mesa representa uma novidade porque é a obrigação de se criar uma mesa do estado com todos os seus municípios, aí tem de haver uma forma de pensar diferencialmente no que é um município de médio e grande porte, e o que é um pequenininho, de até 10 mil habitantes, que são a maioria no Brasil. Não se pode pensar, por exemplo, que um município pequeno é uma extensão de uma Belo Horizonte.
Qual caminho o senhor vê para a definição da base curricular nacional comum?
Não podemos ter aquela definição curricular autoritária que teve vigência durante o Estado Novo, por exemplo, nem uma tal flexibilidade que se torne dispersão, como é hoje. Precisamos encontrar um meio-termo em que exista uma base nacional comum, que seja válida para todo o território nacional, mas que seja dialogada, alcançada por consenso, e não imposta de cima para baixo, e que respeite as diferenças regionais.
Após quase 4 anos de tramitação, o documento final do PNE representa um avanço para o país, apesar de todas essas dúvidas sobre sua execução e disposição dos recursos?
Sem dúvida, o PNE representa pelo menos três grandes avanços em relação ao anterior. Desta vez, pelo menos no corpo da lei, estão expressas as fontes de financiamento para que as metas possam ser alcançadas. Será que vai ser cumprido? Essa é outra conversa, mas em comparação com o anterior é um progresso. Segundo, ele tem metas mais realistas em relação ao primeiro plano. E terceiro, ele está sendo pensado no interior de uma grande pactuação federativa; o outro se referia ao federalismo, mas não criava mecanismos para colocá-lo em marcha. Este PNE proclama a necessidade de um novo federalismo e conclama um órgão que poderá ter autoridade suficiente para pôr em marcha o próprio plano. É muito importante que a sociedade civil passe a cobrar seu cumprimento, os pais, a imprensa... Se ele não for adiante com tudo que se está falando a respeito de educação, de pátria educadora, dos resultados de avaliações... seria muito triste. Não pode, nossa grande esperança é que desta vez as coisas encontrem um caminho promissor.
O PNE incluiu metas para o Ideb e Pisa. Além disso, o ministro Cid Gomes anunciou em entrevista ao jornal Bom Dia, Brasil que pretendia tornar anual a Prova Brasil, que hoje ocorre a cada dois anos. Como o aumento da importância das avaliações pode influenciar o ensino e as políticas educacionais brasileiras?
Pessoalmente acho que há um excesso de avaliações. Aqui em Minas Gerais, numa escola municipal, por exemplo, são feitas todas as avaliações do Inep, há uma avaliação feita pelo sistema municipal, outra do estado e, às vezes, ainda é realizado o Pisa. Como exigir que o ensino ocorra bem se, a cada instante, ele é interrompido com avaliações em cima de avaliações? O ministro foi muito feliz com o trabalho que fez em Sobral (CE), mas outra coisa é pensar em todos os municípios do Brasil. Acho que já temos um lote suficiente de exames e, às vezes, em vez de ajudar, mais exames acabam prejudicando.
O PNE prevê a retomada da discussão sobre a lei de responsabilidade educacional. Ela é necessária?
A lei de responsabilidade educacional, a meu ver, tem pelo menos dois tempos. O primeiro é reunir num só dispositivo legal aquilo que já existe. Nós temos, sim, uma legislação que, em princípio, não deixaria impune aqueles que não cumprem os valores pecuniários que são destinados à Educação. Isso está muito claro na Constituição, LDB e todas as leis subsequentes. Da mesma forma, há possibilidade de punição quando não houver oferecimento de vagas. Em 2016, isso vai ficar mais complicado porque se incluirão todas as crianças de 4 e 5 anos e os jovens de 15 a 17. O problema não é tanto a questão do financiamento, nem das vagas, quando se fala numa lei de responsabilidade educacional é com relação a essas avaliações. É muito difícil estabelecer um critério para um prefeito ou governador sendo que existe uma grande rotatividade de governos a cada 4 anos. Precisamos ir com muito cuidado pois, no afã de constituir uma lei severa, sobretudo com relação ao cumprimento das metas de desempenho, corremos o risco de punir apenas um elo da cadeia. E são vários: temos uma formação inicial muito precária, temos uma baixa atratividade para a carreira docente... O prefeito é apenas um elo da cadeia, sua principal responsabilidade é aplicar rigorosamente os recursos, o que não é pouco, e oferecer vagas com boas condições, mas a questão do desempenho deve ser olhada com mais cuidado.

O senhor vê uma saída a curto ou médio prazo para esse problema da formação inicial ruim?
Não vejo, não. Sinto falar isso, sou professor, em 2015 completo 50 anos de magistério, mas devo reconhecer que chegamos a tal ponto que o CNE precisaria tomar uma atitude mais rigorosa em relação à formação inicial dos professores. Não acho que um bom professor se forme com apenas 2.800 horas na licenciatura ou 3.200 horas na pedagogia. É ridículo, precisaríamos ter pelo menos 3.200 horas na licenciatura e na pedagogia subir para 3.800, além de um currículo pensado de baixo para cima, com especialistas e professores que tenham larga experiência no assunto, para que possamos equilibrar teoria e prática, como a LDB propõe.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Governo tucano do Pará contrata escola particular para dar aulas de recuperação

Sem negociar reposição com professores da rede estadual, Simão Jatene (PSDB) contrata rede privada; estado também anunciou contratação de OSs para dirigir escolas 
estaduais
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 11/09/2015 09:24, última modificação 11/09/2015 18:18
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São Paulo – Passados 95 dias do final da greve e retorno ao trabalho, os professores da rede estadual do Pará ainda não puderam repor as aulas da paralisação entre 25 de março e 5 e junho. Muitos deles ainda têm o contracheque zerado e, por influência do governador Simão Jatene (PSDB), a Justiça estadual ainda não julgou liminar do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) contra os descontos dos dias parados.
No entanto, em julho e agosto o governo tucano do Pará publicou o edital 026/2015 para a contratação de pessoas jurídicas para prestação de serviços educacionais destinados à realização de aulas de recuperação de conteúdos e aplicação de provas e simulados com disponibilização de material didático para alunos de 5° e 9° anos do ensino fundamental e 3ª série do ensino médio, regularmente matriculados na rede pública de ensino estadual e municipal do Pará.
Ainda segundo o governo, as aulas, provas e simulados serão realizadas no prazo de três meses (de meados de agosto a novembro) em instituições de ensino dos municípios de Ananindeua, Belém, Benevides, Breves, Castanhal, Marabá, Marituba, Santa Izabel do Pará e Santarém. As aulas abrangerão o Ensino Fundamental - Língua Portuguesa e Matemática (5º e 9º anos)e Ensino Médio - Matemática, Português, Redação, Física, Química e Biologia (3º Ano).
Conforme havia anunciado o secretário de educação Helenilson Pontes em reuniões do Pacto pela Educação do Pará, no final de junho, seriam ofertadas vagas em instituições da rede privada de ensino a estudantes da rede pública estadual e municipais como reforço na preparação das duas avaliações nacionais deste ano, ou seja, alunos do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental, para a Prova Brasil, que mede o IDEB, e do 3º ano do Ensino Médio para o Enem.
A decisão de recorrer à prestação de serviços, conforme o próprio governo, é a falta de “infraestrutura física e pedagógica (docentes) na magnitude e abrangência geográfica necessária para desenvolver essa atividade complementar aos alunos”. E que o “Projeto de Recuperação de Conteúdos (reforço escolar) insere-se em um contexto mais amplo que, além da necessidade apontada pelo Plano Nacional de Educação (PNE), de unir esforços dos vários segmentos para o enfrentamento e superação dos obstáculos à educação no País.
A contratação é questionada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará, que ingressou com Ação Civil Pública na 2ª Vara da Fazenda em Belém e entrou com representação no Ministério Público Federal. De acordo com o Sindicato, o empréstimo com o BID se refere a Programa Melhoria da Qualidade e Incremento da Cobertura da Educação Básica no Estado do Pará, que deve investir na melhoria do ensino público.
"O governo veio com essa pérola de comprar vagas em escolas privadas para colocar a educação em outro patamar. São R$ 12 milhões para apenas três meses, beneficiando 700 mil alunos, que é parte da rede. Fomos ao Ministério Público para pedir esclarecimentos sobre essas licitações, que são ilegais e imorais", diz o secretário-geral do Sintepp Alberto Andrade, o Beto Andrade.
O dirigente questiona ainda a justificativa do governo, de oferecer reforço. "Como pode ser reforço se as aulas começaram em junho e ainda nem houve reposição. Na verdade é preparação dos alunos visando as avaliações, uma tentativa de maquiar a situação precária da educação no estado."
Ideb abaixo da meta
O estado está abaixo da média brasileira no Ideb 2013 e não atingiu a meta em nenhuma das etapas. Nas séries iniciais do ensino fundamental, ficou com 4,0. A meta era 4,9. E piorou em relação a 2011, quando obteve 4,2. Nas séries finais, alcançou 3,6 quando a meta era de 4,4. Na edição anterior da avaliação, tirou 3,7. No ensino médio, esteve longe de atingir a meta de 3,9. Obteve apenas 2,9.
A promotora de Justiça de Educação Graça Cunha afirmou que o governo Jatene não se interessou em cumprir o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para o cumprimento dos 200 dias letivos, para a reposição das aulas pelos professores da própria rede e suspensão dos descontos ilegais dos dias parados. Para ela, neste momento, a solução para todos os problemas seria a suspensão dos descontos porque os alunos da rede pública merecem uma educação de qualidade, o que passa pela valorização do professor.


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BBC
13/09/2015 09h33 - Atualizado em 13/09/2015 09h34
Imagem da história para assunto sobre politica educacional de Último Segundo - iG 





Escola moderna: três questões cruciais em debate
Lição de casa, uniforme e 'livro x tablet': o que funciona melhor? Saiba o que estudos e estatísticas revelam sobre o assunto.
Quando se trata de educação no mundo moderno, geografia, língua e currículo podem variar, mas algumas questões são universais.Entre elas, o debate em torno do uso de uniforme, da dose certa de lição de casa e da adoção do livro em vez do computador em sala de aula.

1 Uniforme escolar: conveniência ou coerção?
O uso ou não de uniforme escolar pode revelar muito sobre a política de um país. Na França, o uso de uniforme escolar deixou de ser obrigatório desde a década de 1960. E o uso de véus, lenços cobrindo a cabeça e turbantes, assim como o uso de "símbolos religiosos ostensivos" é proibido em escolas públicas.Na Alemanha, uma proposta para que um único uniforme fosse adotado nacionalmente pelas escolas do país provocou ultraje em 2006. Muitos associaram a proposta ao regime nazista.
Em alguns países da América Latina, como Argentina e México, uniformes tendem a ser adotados principalmente por escolas particulares. Como resultado, seu uso adquiriu uma conotação de status educacional.
No Brasil, também não há uma política nacional sobre o uso do uniforme. Escolas da rede particular tendem a não adotá-lo. Na rede estadual, o uniforme é oferecido aos pais, mas seu uso não é obrigatório. Na rede municipal, cabe ao município decidir se alunos devem, ou não, usar uniforme.

2 → Livros, folhas avulsas ou tablets?
A Coréia do Sul e a Finlândia estão entre os países com índices mais altos de distribuição de livros escolares - mais de 95% dos estudantes recebem livros, segundo estatísticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O Brasil, escolas da rede particular optam por soluções diversas, que podem envolver o uso de apostilas criadas especificamente para atender seus currículos, livros didáticos e também tecnologias variadas.
3 → Tempo livre: Quantos dias? E quanta lição de casa?
Dependendo de onde uma criança mora, ela pode ter até 75 dias letivos a mais no ano do que crianças de outros países. Em Israel, Alemanha, Rússia e Zimbábue, o ano letivo tem 210 dias. Costa Rica, Bolívia e África do Sul têm os anos letivos mais curtos, com 180 dias ou menos.
A França também é conhecida por exigir menos dias de trabalho das crianças, dando a eles férias longas para evitar "estafa de sala de aula" - termo usado por um oficial do governo francês.
Ainda assim, o tamanho do calendário escolar pode ser enganador. O dia escolar em escolas francesas está entre os mais longos do mundo ocidental. Ou seja, as crianças vão à escola menos vezes, mas ficam muito mais tempo lá - oito horas diárias.
No Brasil, a lei determina que escolas ofereçam uma carga horária anual de pelo menos 800 horas, distribuídas por no mínimo 200 dias de aula. Ou seja, alunos brasileiros devem ir à escola no mínimo 200 dias por ano e o dia escolar deve durar pelo menos quatro horas.








Promessas de governo


"Quando a crise passar teremos condições de cumprir as metas na Educação", diz ministro

No EXAME Fórum Educação 2015, Renato Janine avalia que por enquanto "podemos aprender com os erros alheios"

O ministro da Educação, Renato Janine, disse na manhã desta terça-feira que o Brasil precisa de investimentos altos, para saldar a "dívida" na educação. "Produzimos muita exclusão nos últimos 500 anos", avaliou. "Mas, agora, com os recursos econômicos limitados, o que podemos fazer é começar, aprendendo com os erros alheios e fazendo testes. Precisamos de alternativas de muito impacto com poucos custos". Em palestra no EXAME Fórum Educação 2015, realizado na sede da Editora Abril, em São Paulo, disse ainda que "quando passar a crise, que afeta a toda a sociedade, vamos ter condições de cumprir as metas do Plano Nacional da Educação (PNE), com expertise". Ou seja, por enquanto, as mais de 200 metas do PNE, incluindo a mais simples proposta de alfabetizar todas as crianças até os 8 anos, permanecem como promessas.


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Apenas 7% dos alunos usam internet nas escolas públicas
ISABELA PALHARES - O ESTADO DE S. PAULO 12 Agosto 2015

 Pesquisa mostra baixa adesão à tecnologia apesar de 99% das públicas terem computadores e 95% delas terem acesso à rede

 SÃO PAULO ­ Apesar de 99% das escolas públicas terem computadores e 95% delas terem acesso à internet, apenas 7% dos alunos dizem fazer uso da rede nas unidades de ensino. Os dados foram obtidos por uma pesquisa do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia sobre "Aprendizagem Móvel no Brasil".

 A pesquisa foi feita entre julho e setembro de 2014 com a análise de escolas públicas, municipais e estaduais, em Brasília, Curitiba, Goiânia, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. De acordo com o estudo, o uso das tecnologias no ensino básico brasileiro ainda está nos "primeiros estágios de desenvolvimento".

De acordo com o estudo,o uso de tecnologias no ensino básico Brasileiro ainda está nos primeiros estágios  de desenvolvimento' Foto Rafael Arbex

Foram encontrados problemas em infraestrutura, o principal deles com relação à baixa velocidade da internet disponibilizada nas escolas. Mas o principal destaque é quanto ao conteúdo digital e a preparação dos professores e funcionários para lidar com as novas tecnologias. 





terça-feira, 8 de setembro de 2015


 Escola cobrará pais se aluno faltar a 10% das aulas em São Paulo
A medida pretende zerar o abandono escolar no Estado, que tem uma taxa de 5% no Ensino Médio

Baixa qualidade do ensino médio afasta jovens da escola
Os principais motivos para deixar os estudos vão da necessidade de arrumar emprego ao desinteresse pelas disciplinas(Agência Brasil/VEJA)

Para evitar o abandono escolar no ensino público em São Paulo, a Secretaria Estadual de Educação decidiu "apertar" as regras sobre o acompanhamento de faltas e reforçar o monitoramento às unidades em pior situação. Resolução aprovada na última semana e publicada no Diário Oficial do Estado obriga as escolas estaduais paulistas a entrar em contato por telefone com os pais dos estudantes quando estes atingirem ausência em 10% das aulas.
Antes, este comunicado era feito ao atingir 20%, número próximo ao total de faltas que causa reprovação automática (25%), o que diminuía o tempo para qualquer intervenção. O contato deve ser feito pelo próprio diretor ou coordenador pedagógico. Além disso, as 30 unidades com maior taxa de faltosos receberão uma força-tarefa de uma equipe da secretaria para tentar "resgatar" os estudantes, além de emitir aviso aos pais sobre as faltas via celular, por SMS. Se o projeto-piloto destas escolas for bem sucedido, mais unidades receberão o mesmo tratamento.